RUI VELOSO
O Rock Português do "Chico Fininho"
por Marta Ribeiro
Rui Veloso
Novos e velhos, pequenos e graúdos, ricos e pobres, todos conhecem o pai do Rock
Português: Rui Veloso. Ainda que tenha começado a cantar e a compôr (juntamente
com o amigo Carlos Tê) em inglês – pois, como o próprio diz “na altura era foleiro
cantar em português” – o nortenho tornou-se um dos maiores artistas portugueses de
todos os tempos e um ícone para qualquer músico ou aspirante a "rockeiro" em
Portugal.
Nascido a 1957, em Lisboa, mudou-se para o Porto apenas com três meses de idade,
e foi na Cidade Invicta que cresceu, criou raízes e se inspirou para compor alguns dos
seus maiores sucessos, como “Chico Fininho”, “Não Há Estrelas No Céu”, “Porto
Sentido”, entre inúmeros outros.
A música foi sempre um elemento imprescindível na vida de Rui Veloso. Apenas com
6 anos de idade, foi apresentado à harmónica, iniciando-se com esta no mundo musical.
Com 15 surgiu a curiosidade da guitarra, começando assim a aprender e descobrir os
primeiros acordes, muito influenciado pelos Blues da altura e por aquele que sempre foi
o seu ídolo, Eric Clapton. Uns anos mais tarde, conheceu o talentoso compositor Carlos
Tê, que viria a tornar-se não só colega e colaborador de Rui, mas principalmente amigo
e companheiro de aventuras musicais. Desde então, nunca mais se separaram e a
magia que ambos optaram por começar a fazer, continua a ser feita, sempre de forma
magistral e exemplar.
Em 1980, lança aquele que veio a ser o primeiro de muitos álbuns, “Ar de Rock”. Um
ano mais tarde, apresenta um dos seus maiores sucessos, o single “Um Café E Um
Bagaço”. O segundo álbum surge em 1982 e tinha o nome de “Fora De Moda”. Foi
ainda neste ano que se deu um dos momentos que o cantor considera ter sido dos
mais especiais e marcantes da sua vida, o nascimento da filha Joana. Apenas um ano
mais tarde, volta a lançar um álbum, desta feita o “Guardador de Margens”. Após uma
pequena pausa de 3 anos, surge com um novo álbum homónimo “Rui Veloso”.
Seguiram-se mais 10 álbuns, no espaço de 23 anos. Dessa extensa discografia, vale
a pena destacar “Lado Lunar” (1995), “Avenidas” (1998), “20 Anos Depois” (2000) e
os dois últimos discos editados, “A Espuma das Canções” (2005) e “Rui Veloso Ao Vivo
No Pavilhão Atlântico”, lançado no passado ano de 2009. No meio de tantos álbuns, teve
ainda tempo para se dedicar de corpo e alma àquele que viria a tornar-se o seu mais
“querido” projecto, a criação do Estúdio de Vale de Lobos, em 2002.
Rui Veloso e B.B. King
Mas não só de sucessos e álbuns a solo se faz este artista. Rui Veloso pode orgulhar-se
de, no seu repertório, contar projectos e colaborações de nomes como Mariza, Nuno
Bettencourt (dos Extreme), Xutos e Pontapés, João Gil, Jorge Palma e Tim (onde juntos,
formavam os “Cabeças No Ar”), Sérgio Godinho, Luz Casal, Per7ume, Pedro Abrunhosa,
Cristina Branco, entre outros.
Foi ainda com grande agrado que, no passado dia 30 de Janeiro, alguns fãs de boa
música portuguesa assistiram no Coliseu do Porto, à colaboração (impulsionada pelo
mesmo) de Sérgio Godinho, Pedro Abrunhosa, Rui Reininho e Rui Veloso, num serão
que tratou de homenagear e celebrar – com muito ritmo e alegria – o dia 31 de Janeiro
e os 100 anos de República. Foi a primeira vez que todos estes artistas portuenses se
juntaram no mesmo palco, mas esperemos que não tenha sido a última.
Rui Veloso no Lisboa ao Parque (Parque Mayer)
Com uma carreira com mais de 30 anos de sucessos, Rui Veloso pode-se orgulhar de
carregar consigo a missão de espalhar o nome de Portugal e da música portuguesa,
por todo o lado. Como prova de tal sucesso, chegou a ser premiado, em 2006, pelo
Presidente da República, com a condecoração da Ordem do Infante D. Henrique. Em
2008, mais um prémio, desta vez, recebendo uma distinção pela Academia Francesa de
Artes, Ciência e Letras pelo seu contributo às Artes e Cultura. É sem dúvida um dos
nomes portugueses (e a cantar em português) mais importantes e influenciadores no
meio musical no nosso país.
Rui Veloso - Mingos & Samurais
Esperemos que em breve nos brinde com mais uma ronda de novos sucessos e
originais, tão bons ou melhores do que os já conhecidos. “Ouvimo-nos” em breve, Rui!
Texto de Marta Ribeiro twitter l olhares
Estudante de Ciências da Comunicação, Universidade Fernando Pessoa, Porto
Rui Veloso site oficial
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