ENTREVISTA A LEONARDO AMUEDO (página 1 de 5)
Por Rafa e Joel (TuGuitarras)
Speakeasy, Lisboa, 21 Julho 2009
Leo Amuedo
Rafa: Começaste a tocar com 4 anos de idade com o teu irmão. Foi importante para ti?
Recordas-te desse tempo? Isso teve influência no músico que és hoje?
Leo: Quando você é tão pequeno, você não pensa, mas eu acho que na verdade,
no fundo no fundo, eu sempre soube que o meu negócio era música mesmo, é uma
intuição, né? Mas foi muito importante, pois eu lembro que o meu irmão tocava umas
músicas assim bem simplezinhas, umas músicas clássicas, e eu lembro até hoje o que
ele tocava. Ele não se lembra mais, mas eu lembro até hoje de umas passagens
harmónicas que ele fazia... marcaram, é engraçado, quando você é pequeno tem
coisas que te marcam. Ele fazia uns arpejos, assim umas coisas, lindas naquele violão,
que lembro até hoje. Já tenho 42 anos, isso faz 37 anos, e ainda lembro. Com certeza
que isso marcou, me encaminhou, me deixou no caminho.
O facto de ser guitarrista, é assim, se o meu irmão tivesse tocado piano, hoje eu
seria pianista, acho. Qualquer instrumento que ele tivesse tocado na época acho
que eu ia seguir isso. Não tinha piano lá em casa, só tinha um violão, se houvesse
um piano... acredito eu, né? Porque é a música que me chama a atenção. A minha
paixão não é a guitarra, é a música. Então, na realidade, eu toco guitarra porque é o
instrumento que comecei a tocar. Mas gosto de tocar baixo, gosto de tocar percussão,
eu gostaria de tocar piano... eu acho que o participar da música é que é o barato. Eu
me sinto mais músico do que guitarrista. Sou guitarrista, é obvio, mas dá para
entender? É outra perspectiva, né? Por isso, claro, o meu irmão me marcou muito.
Leo Amuedo
Rafa: E depois, foste para uma escola de música?
Leo: Não, comecei a estudar teoria assim de uma forma privada, de uma forma
particular. Nunca fui para uma escola de música...
Rafa: Isso no Uruguai...
Leo: É... na época tinha Conservatório mas era só de música clássica. Hoje em
dia o Conservatório já é muito mais amplo. Hoje em dia seria mais fácil para um
músico... é assim, quando a gente é muito jovem, com 15, 16 anos, eu não estava
muito interessado pela música clássica, hoje estou muito mais, claro.
Rafa: O que te levou, então, a quereres estudar teoria?
Leo: Tive necessidade de entender aquilo que estava fazendo. Aí tinha começado
uma banda, a primeira bandinha, os meus colegas já tocavam, já liam, já sabiam
ler música e isso tudo. Na verdade cara, foi engraçado, eu me lembro até hoje
como eu aprendi a ler cifrado: foi no ônibus. Depois de um ensaio e o baixista, que
é meu amigaço até hoje, foi ele que me ensinou, ele falou assim: “Cara é muito fácil”,
lembro essa conversa no ônibus, voltámos do ensaio, eu com 15 anos e ele me
explicando as cifras: “Dó – C, Ré – D e depois o E”... “e aí a sétima... apartir da
tónica, começas a contar...”, bem, na verdade, é muito simples, essa parte da teoria
é muito simples, o caso da cifra... e aí fui praticando, praticando, praticando, lendo,
lendo... depois entrei numa banda de baile, no Brasil se fala de baile, aqui não sei,
aquelas bandas de orquestra, que se vai de smoking, toquei uns quatro anos com
eles, e ali eu tinha que ler muita música.
Rafa: Até que houve um dia em que vieste até à Europa...
Leo: É, com 22 anos eu fui para a Holanda.
Rafa: E porquê? Foi um convite? Quiseste experimentar...
Leo: Eu queria sair do Uruguai, eu tinha vontade de sair, porque eu já tinha feito de
quase tudo lá, pelo menos naquela época eu sentia isso. Eu queria aprender mais,
eu queria crescer mais, é assim, é aquela vontade de jovem de evoluir, de ver
outras coisas. Hoje no Uruguai se está bem melhor do que naquela época, que
não tinha muito acesso a discos, à formação...
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